
Por Leonardo Carvalho
Uma pergunta válida para quem se aventurar a ver o documentário À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas: o quanto você realmente sabe sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu?
O que nos chega através da propaganda oficial é a necessidade urgente em se construir a usina, sob pena de não termos energia suficiente para sustentar o crescimento do país. Esporadicamente lemos na imprensa vozes distantes e dissonantes de pessoas que apontam o alto custo ecológico e social que a região terá que pagar com a obra.

Essas são as tais vozes não consideradas, objeto do documentário de Damiá Puig.
Há um mérito na busca dessas vozes e na denúncia apresentada pelo filme. De fato, ele busca e apresenta dados que não são acessíveis ao grande público (nem à imprensa). Os personagens escolhidos para contestar a construção representam diversos estratos sociais (um bispo, cientistas, ativistas indígenas e não-indígenas moradores da região que será afetada).
Cinematograficamente, porém, o documentário tende a cometer alguns excessos – nada nem de perto parecido com histrionismo de Michael Moore – como na representação quase caricata dos personagens que falam a favor do projeto (uma diretora de Belo Monte visivelmente despreparada para o cargo, homens que jogam carta em um bar – um ou outro sob efeito de álcool, um comerciante com ares coronelescos). Excessos que talvez resultem justamente do seu ativismo e da urgência da denúncia.
Mas excessos que não diminuem o peso do tema, coisa que ficou clara durante a coletiva de imprensa onde o debate sobre tema sobrepujou o debate sobre a obra. Por associação, Xingu deve encontrar seu público, e engrossar o debate em torno das políticas públicas de infra-estrutura.
Abaixo, entrevista com uma das principais personagens do documentário.









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