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Transeunte, de Eryk Rocha, é retrato da solidão da terceira idade

 

 

Por Leonardo Carvalho

 

 

O cineasta Eryk Rocha trouxe a Paulínia o seu primeiro longa metragem, Transeunte. O filme já havia sido exibido em Brasília, no festival de 2010, com excelente aceitação do público e da crítica. Repetiu a boa repercussão nesta edição do Festival Paulínia de Cinema.

Inspirado na obra de Fernando Pessoa, segundo Eryk pela “falta de comunicação e pela solidão”, Transeunte é a história de Expedito, senhor sexagenário aposentado, viúvo e sem filhos no Rio de Janeiro. Sua vida vazia e solitária começa a encontrar um fiapo de sentido com suas peregrinações pelas ruas, onde ele se perde entre a multidão de passantes.

Expedito é vivido pelo experiente Fernando Bezerra, veterano do teatro. É Fernando quem melhor resume o tom da obra: “O que há de fantástico no filme é que, como na vida, ele não tem grandes acontecimentos. Às vezes a gente esquece que os grandes acontecimentos – como um casamento, por exemplo – são o resultado de pequenos acontecimentos muito menores e nos quais a gente presta pouca atenção”. (o depoimento completo do ator pode ser visto no vídeo abaixo).

De fato, há um desconforto inicial porque somos forçados a entrar no cotidiano pouco interessante, lento e quase melancólico do personagem.

A primorosa fotografia em preto e branco do filme, assinada por Miguel Vassy, auxilia nessa experiência sensorial. Somos jogados de encontro ao personagem com momentos de close e superclose, especialmente do olhar.

Completa a experiência uma seleção musical que passa ao largo das obviedades de filmes que buscam retratar a terceira idade. Uma pesquisa minuciosa da programação de rádios populares se junta à trilha original composta por Fernando Catatau. Eryk justifica a preocupação com o som: “o som para mim é indispensável na experiência sensorial do cinema por ser indispensável na construção da realidade”.

Transeunte estreia em 12 de agosto de 2011, no RJ e em SP.

 

 

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