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Muito se ouve sobre os brasileiros que são presos no exterior por tráfico de drogas, prostituição, imigração ilegal e outros atos ilícitos. E foi pensando em mostrar a situação contrária, dos estrangeiros que vivem em cadeias do país, que Maíra Buhler e Matias Mariani fizeram o documentário Ela Sonhou que Eu Morri, exibido em Paulínia. Para entender o título, só mesmo assistindo ao filme.
Matias e Maíra, antropóloga por formação, são bastante sagazes no exercício de compreensão do outro. Nem sempre o espectador se convence dos motivos pelos quais os personagens dizem ter sido presos, e esse é um dos atrativos do longa. É uma espécie de brincadeira com o limite entre ficção e verdade. "Acho legal gerar esse debate, a dúvida é muito mais interessante", conta o diretor.
Depois de uma pesquisa intensa, a produção chegou em dez personagens de origens diversas, Há uma bela cantora sul-africana, uma mãe húngara, um jovem eslovaco e outro tcheco, entre outros. Alguns ainda se emocionam, outros se conformaram com o fato de estar separado de casa por uma grade, e muitas vezes, um oceano. Em comum, a maioria alega inocência.
Quanto ao cenário, há sempre uma carteira escolar -onde o preso está sentado contando sua história- com uma lousa ao fundo, no mesmo plano frontal. A montagem é tão bem feita que fica dificil perceber que se tratam de duas penitenciárias: a dos homens, na cidade paulista de Taí, e a das mulheres, que convivem com brasileiras num anexo do Carandiru. A rigidez é proposital tanto no tempo, quanto no enquadramento; tudo para manter o foco no confinamento.









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