
Por Leonardo Carvalho
Histórias de estrangeiros que se apaixonam pelo Brasil e acabam ficando depois de uma viagem despretensiosa existem às pencas. Adicione alguns recortes no roteiro para escolher os personagens certos para contar a história mais uma boa dose de trabalho duro e, talvez, você consiga fazer um documentário independente interessante o bastante como esse A Cidade Ímã, do diretor Ronaldo German.
German já havia trabalhado em documentários para a TV que tratavam do tema da imigração. Pouco a pouco a ideia evoluiu até o seu formato final: músicos estrangeiros que vieram ao Brasil – mais especificamente ao Rio de Janeiro – por um motivo ou outro e acabaram se apaixonando pela cidade o suficiente para decidir ficar. “Queria mostrar a integração à cidade e à sociedade”, diz o diretor. “Queria mostrar como eles se relacionam com essa personagem que é o RJ”.

Conseguiu personagens fantásticos e absolutamente diferentes. Massako (Mako) é uma cantora japonesa que era apaixonada por MPB. Veio ao país para aprender o português e música brasileira, gostou tanto que ficou mesmo sem saber uma palavra de português “a primeira palavra que aprendi foi maionese. A dona da casa disse que eu podia comer maionese e eu fui direto no pote. Não sabia que tinha uma salada com esse nome”.
Bruce Henri nasceu em Nova York e cresceu na Espanha. Tem o contrabaixo como instrumento e viveu intensamente os anos 70 e 80 no Brasil, inclusive tocando com músicos como Evandro Mesquita – que inclusive dá depoimento no filme.
Completam o elenco o francês Idriss – saxofonista – e o inglês David – violoncelista apaixonado por Villa Lobos.
A narrativa leva em conta não só a relação pessoal dos músicos com a cidade, mas a relação de sua carreira com as manifestações culturais que acontecem no RJ. Mako toca na Lapa, Bruce participou de filmes e toca em bares, Idriss dá aula a jovens músicos e toca em bares e shows e Chew faz parte da Orquestra Sinfônica Brasileira.
E vai mais longe ao mostrar os choques pelos quais os quatro passaram na cidade. Todos foram assaltados, todos passam ou passaram por momentos de estranhamento cultural, cada um reage à sua maneira. “Não queria transformar o documentário em um panfleto do RJ. Não podia fugir dos problemas como a violência ou o trânsito que são problemas que existem”, pontua o diretor.
O trabalho foi duro: German assina direção, fotografia, roteiro e montagem. Apenas o som direto foi feito por outro profissional. “É o problema de ser independente. Eu gosto de trabalhar em equipe, mas quando o dinheiro é curto tenho que me virar. Faço porque não consigo ficar sem fazer”, conta o diretor.









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