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Desafios da distribuição cinematográfica e o YouTube são assunto em Paulínia

 

 

 

Por Leonardo Carvalho

 

Um dos principais desafios encontrados por qualquer um que se aventure na produção cinematográfica é a distribuição do seu trabalho. O tema foi discutido em Paulínia em uma sessão especial que juntou nomes como José Padilha, diretor dos dois Tropa de Elite, Marco Aurélio Marcondes - distribuidor independente e um dos responsáveis pela divulgação dos dois Tropa -, Wilson Feitosa - da Europa Filmes - e Federico Goldman, representando o site de vídeos YouTube, que pretende ser uma nova plataforma para divulgação cinematográfica no Brasil.

Em primeiro lugar é preciso entender como funciona a distribuição de filmes no Brasil. Quem explica é o diretor José Padilha: "Só para comparar, nos EUA o produtor chega com o projeto para o distribuidor [a Warner ou a Sony]. Se o distribuidor gosta do projeto, ele banca toda a produção, desde o pré-produção até o marketing e a divulgação. No fim, pelo contrato, a distribuidora pega a bilheteria toda".

 

No Brasil, a situação é parecida, mas o produtor é o responsável por bancar todo o projeto. Padilha continua: "Aqui o produtor tem que chegar com o produto pronto. Gastou dinheiro em pré-produção, produção e pós. Se a distribuidora se interessar, ela compra o filme e, em um contrato parecido com os firmados nos EUA, fica com todo o dinheiro da distribuição".

O negócio, claro, torna difícil a produção de novos trabalhos, já que os produtores são obrigados a tirar dinheiro do próprio bolso para viabilizar os seus projetos, ou apelar para leis de fomento. Esse último caso justificou a sentença do distribuidor Aurélio Marcondes: "o cinema brasileiro é tutelado", disse.

A solução, tanto para Padilha como para Marcondes, seria criar um novo modelo de negócio onde distribuidoras independentes agiriam como prestadoras de serviço, sendo contratadas pelo produtor apenas para gerir a parte de distribuição, marketing e divulgação dos filmes. A bilheteria seria revertida para os produtores, que teriam inclusive maior poder de barganha junto aos exibidores.

 

 

 

O caso do YouTube

 

Federico Goldman é Gerente de Parcerias do Google Brasil, e um dos responsáveis pelo YouTube no país. Para ele, o site de hospedagem de vídeos "é uma ferramenta que oferece uma janela global para filmes brasilieiros".

No que depender de números, essa visibilidade é mais do que garantida: o site responde por 2 bilhões de acessos diários com 48 horas de vídeo sendo exibidos a cada minuto. Por dia, o equivalente a 150 anos de vídeo são postados e 400 desses vídeos são tuitados.

Nesse oceano de conteúdo digital, alguns produtores criaram filmes interessantes o suficiente para despertar o interesse de grandes estúdios, caso do uruguaio Federico Alvarez com seu curta de ficção científica Ataque de Pânico. Em uma semana online, o vídeo rendeu mais de 5 milhões de pageviews e Federico, conta Goldman, "recebeu uma ligação da Warner Bros. e uma proposta para produzir um longa para o estúdio".

São casos assim que chamaram a atenção do Google e levaram à criação de iniciativas como o Life in a Day Project. A proposta era que pessoas ao redor do mundo gravassem um vídeo sobre o seu dia e postassem esse vídeo em um canal do YouTube no mesmo dia, ao mesmo tempo. Os vídeos foram editados e deram origem a um longa metragem, posteriormente exibido nos cinemas. (Uma curiosidade: durante o debate, José Padilha e Aurélio Marcondes firmaram um acordo tácito para produzir uma iniciativa parecida no Brasil).

Outra iniciativa do YouTube começou justamente por ocasião dessa edição do Festival de Paulínia. Em uma parceria com a Secretaria de Cultura foi lançado um canal de hospedagem de vídeos exclusivos gravados durante o festival.O canal também abriga os curtas-metragens exibidos nas edições anteriores na íntegra. Os curtas desta edição também estão sendo postados um dia após sua exibição no festival.


Veja um trecho do debate:

 

 

 

 

 

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